Rosangela Rennó é uma artista inquieta. Mineira radicada no Rio, é uma das fotógrafas mais corajosas da arte contemporânea mundial. Já expôs em todas as mostras importantes, incluindo a Bienal de Veneza.
Seu último trabalho é precioso e fundamental no debate das artes visuais no Brasil. Rosangela quer discutir os “roubos” às coleções públicas de arte e a fragilidade das instituições no trabalho de proteger seus acervos. Como em outros trabalhos, ela apropria-se de fotografias antigas para fazer sua imagem, uma nova imagem.
Nesta obra, a artista fala do recente roubo de fotografias do Rio antigo, pertencentes à coleção do Imperador Dom Pedro II, doadas Biblioteca Nacional. Foram 751! Como algumas sofreram danos e não conseguiram ser revendidas no mercado europeu, acabaram retornando por caminhos desconhecidos através de doações.
Rosangela fotografou o verso destas imagens, evidenciando os danos que sofreram. A metáfora é a da cegueira, da impossibilidade de vermos. Cego o que deixa roubar e impossibilitado aquele que lhe é tirado o direito de ver. Daí, a mágica de Rosangela é criar uma imagem nova é nos devolver o prazer de ver e pensar. Ela nos faz lembrar que nossa memória, seja individual, seja coletiva, é muito importante – e não podemos deixar de preservá-la. Sempre.
Viva Rosangela: os fãs de arte e história agradecem. Mande seu comentário dizendo qual imagem de arte ou imagem histórica você guarda com mais carinho.






